
quinta-feira, 30 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Poema à Procissão do Senhor Morto
O povo com fervor;
Num esquife coberto,
Leva Nosso Senhor!
Logo atrás vai Maria,
Leva roxas flores;
De Cristo na agonia,
É Senhora das Dores!
Vão lá as autoridades,
Da igreja e as locais;
Miúdos e Irmandades,
Os idosos e os demais!
Nos soldados da Paz,
O seu capacete reluz;
É um brilho que traz,
Novo brilho de Jesus!
Deus mandou a chuva,
Para toda rua lavar;
Foi lavada com luva,
Pra Seu Filho passar!
Até no céu as estrelas,
Brilho deram de Deus;
Na terra acesas velas,
Eram brilho dos seus!
E com todo este brilho,
De natural esplendor;
Brilho deram ao Filho,
Que morreu por amor!
A Procissão do Triunfo de Lisboa

A Procissão do Triunfo ou dos Santos Nus, devido à nudez das suas imagens, era organizada pelos Irmãos Terceiros do Carmo no intuito de divulgar a devoção pelos Passos dos Martírios do Senhor. 
Uma das procissões mais concorridas de Lisboa fazia-se no Chiado, no Domingo de Ramos, até 1722, altura em que passou a ter lugar na sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos. A regularidade da Procissão foi interrompida em 1755 devido ao Terramoto que causou a destruição do convento e das imagens e, em 1834, em virtude da expulsão das ordens religiosas e consequente encerramento dos conventos.
A ordem da procissão era a seguinte: Guião levado pelos Terceiros do Carmo; Imagem do Senhor orando no Horto; Senhor Preso; Senhor açoitado, preso à coluna; Senhor da Cana Verde; Senhor "Ecce Homo"; Senhor dos Passos; Senhor Crucificado; Esquife do Senhor morto, sob o Palio; Nossa Senhora das Dores; Pároco acolitado por dois sacerdotes paramentados de roxo; Priores, ministros e comissários das Ordens Terceiras. A encerrar o préstito ia uma guarda de honra, composta por 150 Praças da Guarda Municipal, seguida respectiva banda. À frente de cada andor ia uma criança vestida de anjo segurando a insígnia da Paixão evocada pelo andor.

Uma das procissões mais concorridas de Lisboa fazia-se no Chiado, no Domingo de Ramos, até 1722, altura em que passou a ter lugar na sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos. A regularidade da Procissão foi interrompida em 1755 devido ao Terramoto que causou a destruição do convento e das imagens e, em 1834, em virtude da expulsão das ordens religiosas e consequente encerramento dos conventos.

A ordem da procissão era a seguinte: Guião levado pelos Terceiros do Carmo; Imagem do Senhor orando no Horto; Senhor Preso; Senhor açoitado, preso à coluna; Senhor da Cana Verde; Senhor "Ecce Homo"; Senhor dos Passos; Senhor Crucificado; Esquife do Senhor morto, sob o Palio; Nossa Senhora das Dores; Pároco acolitado por dois sacerdotes paramentados de roxo; Priores, ministros e comissários das Ordens Terceiras. A encerrar o préstito ia uma guarda de honra, composta por 150 Praças da Guarda Municipal, seguida respectiva banda. À frente de cada andor ia uma criança vestida de anjo segurando a insígnia da Paixão evocada pelo andor.

Esta Procissão da Via-sacra começou em 1670 e terminou em 1908, proibida pelo Governo Civil.

quinta-feira, 23 de abril de 2009
Procissão do Enterro - Histórial
Na Sexta-feira Santa, a Igreja celebra a Morte salvífica de Cristo. Na acção litúrgica da tarde, ela medita na Paixão do seu Senhor, intercede pela salvação do mundo, adora a Cruz e comemora a sua origem do lado aberto do Salvador.
Entre as manifestações de piedade popular da sexta-feira santa, além da via-sacra, sobressai a procissão do «Senhor Morto» ou como também é chamado «Enterro do Senhor». Ela volta a propor, nos módulos próprios da piedade popular, o pequeno cortejo de amigos e discípulos que, depois ter deposto da Cruz o corpo de Jesus, o levam ao lugar em que estava «o sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado» (Lc 23, 53).
Esta procissão estabeleceu-se, em Portugal pela devoção dos fiéis nos fins do século XV e princípios do século XVI.
Foi trazida de Jerusalém pelo Padre Paulo de Portalegre e começou a fazer-se, no Convento de Vilar de Frades, arcebispado de Braga, de 1500 a 1510, onde se estendeu a todas as Catedrais de Portugal.
Começou, pois esta procissão, a ser feita como Santíssimo Sacramento, como ainda hoje se realiza na catedral de Braga.
Em 1518, já o Missal Bracarense mencionava o rito desta procissão, com o Santíssimo Sacramento, o que no Missal de 1512 não se verifica.
Vejamos como era feita esta procissão com o Santíssimo Sacramento. A procissão era realizada com uma das hóstias consagradas na Missa solene de Quinta-feira Santa e que, tendo sido exposta à adoração dos fiéis na tarde e noite desse dia e manha da Sexta-feira, é conduzida processionalmente para o túmulo onde se conserva até à aurora do Domingo de Páscoa. Dai era levada em triunfo cantando-se as alegrias pascais. Esteve esta procissão muito difundida em Portugal e foi seguida durante muitos anos no Rito Romano.
Caída em desuso entre nós, ela foi substituída por outra como imagem do Senhor Morto, e procurando respeitar «as horas próprias e mais convenientes» para «a maior devoção e maior fruto dos fiéis», como indicou a Nova Ordem da Semana Santa, em 1952.
O cortejo viria, no entanto, a sofrer outras modificações ao longo dos séculos, aliando o espírito penitencial à teatralidade, surgiram algumas figurações bíblicas, assinalando algumas cenas do Antigo e do Novo Testamento, como por exemplo: Isaac com a lenha e Abraão, São Pedro, Maria Madalena…
O espírito da contra reforma foi reduzindo as figurações substituindo-as por figuras esculpidas representando as santas personagens.
A Procissão passou a ter uma maior sobriedade e rigidez; abria com o Andador que levava a matraca, depois a Cruz grande sem imagem e sem título, com uma toalha pendente dos braços da cruz, simbolizado a descida de Cristo da Cruz., era acompanhada por duas velas de cera amarela. A irmandade seguia atrás da cruz formando duas alas, levando a cabeça coberta com o capuz da opa e segurando tochas ou velas de cera amarela.
É tradicional levar nesta procissão os Martírios do Senhor, que são conduzidos por crianças vestidas de anjos ou por outras figuras bíblicas.
O responsório do livro das lamentações (Lm1, 12), entoado pela Verónica, nas diversas paragens ao longo do percurso, evoca a dor desesperada de alguém que perdeu o ser mais querido. É curioso notar que, em algumas zonas de Portugal, esse cântico é ainda hoje interpretado por uma mulher representando a Verónica que, por falta de conhecimentos em latim, se limita a entoá-lo musicalmente, reproduzindo a melodia sem qualquer palavra.
« O vos omnes, qui trasistis per viam,
Attendite, et videre is est dolor
similis sicut dolor meus.
Attendite, universi populi et videre dolorem meum
Si est dolor similis sicut dolor meus.»
À frente do palio, seguiam um ou dois turíbulos incensando o ambiente criando uma atmosfera digna da passagem do esquife com o Senhor Morto, sob o palio e rodeado de lanternas ou tochas, este incenso usado era um incenso especial, que só era usado neste dia, chamado Benjoim ou Beijoim, que lembrava os aromas com que embalsamaram o corpo de Nosso Senhor.
A imagem do Senhor Morto será colocada um esquife ou ataúde, o mais artístico possível, deitada sobre um pano de seda roxa.
Depois seguia o celebrante e os ministros, noutros locais é habito seguirem depois dos andores. Por fim, o andor de Nossa Senhora da Soledade, que costuma ir de roxo, e manto azul, e no sul habitualmente de preto. Em varias zonas acompanham também o andor de São João e o de Santa Maria Madalena, sendo cada andor acompanhado de lanternas. A encerrar o cortejo ia três mulheres carpideiras, vestidas de negro, que o povo chamava “as três Marias do behu”, pela lamentação exageradamente ruidosa que entoavam: «Heu Heu Domine, Heu Salvator Noster» (Ai! Ai! Senhor, ai! Nosso salvador!)
A Procissão do Enterro terminava após a cerimónia da Tumulação do Senhor. Que consistia no seguinte, ao chegar à igreja, o celebrante e o povo ajoelhavam-se, e dois seguravam a imagem, elevando-a três vezes perante o povo, enquanto o celebrante incensava a imagem, depois depositando-a em seguida no túmulo, em cima do Altar ou da banqueta, e, após ter entoado os responsórios, encerrava-se o túmulo, ou, caso não houvesse, cobria-se a imagem com um pano, reinando o mais profundo silêncio no templo.
Há o costume nalguns lugares de espalhar rosmaninho e alecrim pelo chão da igreja o que dá ao templo com o seu perfume característico um ar muito especial, que não se deve deixar perder.
Entre as manifestações de piedade popular da sexta-feira santa, além da via-sacra, sobressai a procissão do «Senhor Morto» ou como também é chamado «Enterro do Senhor». Ela volta a propor, nos módulos próprios da piedade popular, o pequeno cortejo de amigos e discípulos que, depois ter deposto da Cruz o corpo de Jesus, o levam ao lugar em que estava «o sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado» (Lc 23, 53).
Esta procissão estabeleceu-se, em Portugal pela devoção dos fiéis nos fins do século XV e princípios do século XVI.
Foi trazida de Jerusalém pelo Padre Paulo de Portalegre e começou a fazer-se, no Convento de Vilar de Frades, arcebispado de Braga, de 1500 a 1510, onde se estendeu a todas as Catedrais de Portugal.
Começou, pois esta procissão, a ser feita como Santíssimo Sacramento, como ainda hoje se realiza na catedral de Braga.
Em 1518, já o Missal Bracarense mencionava o rito desta procissão, com o Santíssimo Sacramento, o que no Missal de 1512 não se verifica.
Vejamos como era feita esta procissão com o Santíssimo Sacramento. A procissão era realizada com uma das hóstias consagradas na Missa solene de Quinta-feira Santa e que, tendo sido exposta à adoração dos fiéis na tarde e noite desse dia e manha da Sexta-feira, é conduzida processionalmente para o túmulo onde se conserva até à aurora do Domingo de Páscoa. Dai era levada em triunfo cantando-se as alegrias pascais. Esteve esta procissão muito difundida em Portugal e foi seguida durante muitos anos no Rito Romano.
Caída em desuso entre nós, ela foi substituída por outra como imagem do Senhor Morto, e procurando respeitar «as horas próprias e mais convenientes» para «a maior devoção e maior fruto dos fiéis», como indicou a Nova Ordem da Semana Santa, em 1952.
O cortejo viria, no entanto, a sofrer outras modificações ao longo dos séculos, aliando o espírito penitencial à teatralidade, surgiram algumas figurações bíblicas, assinalando algumas cenas do Antigo e do Novo Testamento, como por exemplo: Isaac com a lenha e Abraão, São Pedro, Maria Madalena…
O espírito da contra reforma foi reduzindo as figurações substituindo-as por figuras esculpidas representando as santas personagens.
A Procissão passou a ter uma maior sobriedade e rigidez; abria com o Andador que levava a matraca, depois a Cruz grande sem imagem e sem título, com uma toalha pendente dos braços da cruz, simbolizado a descida de Cristo da Cruz., era acompanhada por duas velas de cera amarela. A irmandade seguia atrás da cruz formando duas alas, levando a cabeça coberta com o capuz da opa e segurando tochas ou velas de cera amarela.
É tradicional levar nesta procissão os Martírios do Senhor, que são conduzidos por crianças vestidas de anjos ou por outras figuras bíblicas.
O responsório do livro das lamentações (Lm1, 12), entoado pela Verónica, nas diversas paragens ao longo do percurso, evoca a dor desesperada de alguém que perdeu o ser mais querido. É curioso notar que, em algumas zonas de Portugal, esse cântico é ainda hoje interpretado por uma mulher representando a Verónica que, por falta de conhecimentos em latim, se limita a entoá-lo musicalmente, reproduzindo a melodia sem qualquer palavra.
« O vos omnes, qui trasistis per viam,
Attendite, et videre is est dolor
similis sicut dolor meus.
Attendite, universi populi et videre dolorem meum
Si est dolor similis sicut dolor meus.»
À frente do palio, seguiam um ou dois turíbulos incensando o ambiente criando uma atmosfera digna da passagem do esquife com o Senhor Morto, sob o palio e rodeado de lanternas ou tochas, este incenso usado era um incenso especial, que só era usado neste dia, chamado Benjoim ou Beijoim, que lembrava os aromas com que embalsamaram o corpo de Nosso Senhor.
A imagem do Senhor Morto será colocada um esquife ou ataúde, o mais artístico possível, deitada sobre um pano de seda roxa.
Depois seguia o celebrante e os ministros, noutros locais é habito seguirem depois dos andores. Por fim, o andor de Nossa Senhora da Soledade, que costuma ir de roxo, e manto azul, e no sul habitualmente de preto. Em varias zonas acompanham também o andor de São João e o de Santa Maria Madalena, sendo cada andor acompanhado de lanternas. A encerrar o cortejo ia três mulheres carpideiras, vestidas de negro, que o povo chamava “as três Marias do behu”, pela lamentação exageradamente ruidosa que entoavam: «Heu Heu Domine, Heu Salvator Noster» (Ai! Ai! Senhor, ai! Nosso salvador!)
A Procissão do Enterro terminava após a cerimónia da Tumulação do Senhor. Que consistia no seguinte, ao chegar à igreja, o celebrante e o povo ajoelhavam-se, e dois seguravam a imagem, elevando-a três vezes perante o povo, enquanto o celebrante incensava a imagem, depois depositando-a em seguida no túmulo, em cima do Altar ou da banqueta, e, após ter entoado os responsórios, encerrava-se o túmulo, ou, caso não houvesse, cobria-se a imagem com um pano, reinando o mais profundo silêncio no templo.
Há o costume nalguns lugares de espalhar rosmaninho e alecrim pelo chão da igreja o que dá ao templo com o seu perfume característico um ar muito especial, que não se deve deixar perder.
terça-feira, 21 de abril de 2009
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